Guararema-SP, 17 de dezembro de 2011.
Previsões para o ano de 2012, para o Clã Erin Epega.
Somos Tradicionalistas de Orisa e para nós o ano ocidental de 2012 equivale, a partir do equinócio de outono em 21 de março próximo, ao ano dos Orisa de 10.057.
Dia 1º de janeiro de 2012, Ojo Jakuta, Odu Obara Odi, ire.
Vem pelos caminhos de Ogbe Odi, orun.
Orunmila envia o odu Obara Odi:

Perguntamos a Orunmila: que Orisa rege o ano, quais os ebo necessários, o que é bom e o que é ruim.
O Orisa que rege o ano é Sángò.
Sángò pede a companhia de Omolu para que a doença não assole o mundo. É o 3º de 10 anos ruins. A natureza vai dar problemas até março, depois pode melhorar um pouco. Perigo de guerra, destruição, desmandos e violência em todos os países, em todas as cidades, em todas as casas, em todas as famílias. É algo de que ninguém está livre. Vai ser um ano violento. As cidades, as ilhas, até países poderão ser eliminados, física ou geograficamente do mapa, por invasões. O orgulho, o poder, a intriga, a incompetência podem destruir. O bom senso, a educação, o raciocínio podem melhorar o mundo. Saber impor e saber ceder na hora certa.
O fogo que vem de dentro da terra e o poder da eletricidade estarão sem controle. A terra vai vomitar fogo, gases e substâncias tóxicas. A guerra vem pelo ar e pelo mar, vai matar muita gente, animais e plantas. As previsões de 2011 continuam validas quanto às minorias que estarão exaltadas, injustiçadas querendo tomar o poder a qualquer custo, nem sempre tem lideres competentes para isto. Nesse vácuo pode-se instalar um poder ainda mais maligno para homens e para animais.
Justiça é uma coisa, vingança é outra. Tem-se que fazer os culpados reconhecerem seus erros pela razão, não pelo ódio e violência.
Não é um ano justo, apesar de pertencer a Orisa Sángò. Cada um que procure ser o mais justo possível e que tente incutir isso nos outros, mas primeiro cuide de se melhorar, para depois reparar o erro do outro. Quem se prevenir, não gastar, não brigar, não destruir, vai viver melhor. Obara Odi pode, subitamente, abrir espaço de boa sorte, amor e alegria. Saber identificar e aproveitar. É o ano do inesperado.
Não vai haver comida para todos, nem água, nem trabalho, nem moradia. Pode haver alegria para os de boa índole, honestos e que saibam ver o lado positivo de tudo.
Não mentir, NÃO QUEBRAR EEWO, defender a família acima de tudo, principalmente avos, pais, filhos e netos (Comentário: para cima e para baixo, o vertical é mais importante que o linear horizontal).
Não abrir mão de opiniões, convicções, posturas morais e certezas por ter ouvido ou lido opinião contrária. Ori inu, a memória ancestral, vai imperar este ano. Devemos acreditar em nós, na nossa intuição. OUVIR MUITO, FALAR POUCO, ser generoso. Pensar muito antes de falar, lutar contra impulsividade. O que está dentro da sua boca é seu escravo, saiu da sua boca é seu senhor.
Neste ano, o fogo purifica: falar suas mágoas, problemas, dores no fogo. Não contar em ouvido alheio, pode ser o do seu melhor amigo - falar no fogo. Cuidado com a intriga, ano de muita traição, CUIDADO, é por isso que Orunmila recomenda: fale seus problemas no fogo, o fogo escuta e não passa para frente. O pior inimigo é o interno, que está na casa, na família, no trabalho.
A morte faz parte da vida, não se desesperar por morte sua ou dos outros.
No fim tudo termina bem, se ainda não esta bem é porque ainda não terminou.
Orisa não é responsável por suas dúvidas, seus ganhos, seu casamento, sua saúde, seu futuro. O que você faz, fez e fará é escolha sua.
Viver é plantar para a próxima vida. Reconhecer esforços de pais e avos, ensinar filhos e netos.
De terras estrangeiras vêm novidades, coisas boas e ruins, bondade e maldade. Usar seu discernimento e escolha. O que é bom para você é para sua descendência.
Não misturar crenças, religiões, meios de alcançar o divino. Respeitar e aceitar todas as formas de chegar a Deus em seus vários nomes e manter sua crença intacta.
Manter postura moral que aprendeu com os pais, com os mais velhos ou avaliar por que está mudando, defendendo o ponto de vista frente à família por que você mudou. Manter educação, instrução e rédea curta nas crianças e jovens. Acreditar em si mesmo, nem sempre a palavra do chefe, do político, do professor, do repórter é confiável. É melhor desconfiar e ir criando confiança aos poucos.
Não é um ano bom para vícios: álcool vicia, droga vicia, jogo vicia, mentira vicia, excesso de sexo vicia, poder vicia, fumo vicia. Olhar para seus pais ou para lembrança que tem deles e criar seus filhos como foi criado, não fazer nada que você se envergonharia de olhar nos olhos de seus mais velhos e relatar.
Não fazer filhos se não conhecer bem o parceiro ou parceira, a família dele ou dela. Não se desiste de um filho ou uma filha, é nossa responsabilidade para sempre. Um mau pai, uma má mãe cria meio filho ruim: se você é bom a metade boa vem de você, se o pai ou a mãe é ruim, o filho também leva esta metade ruim (comentário: e acrescentamos uma frase "filho de cobra com jacaré não sai pomba rola". Não exija de sua descendência o que você não é, tente mudar dando o exemplo).
Trocar o sal pela pimenta que satisfaz e dá força na palavra.
Ano cheio de buracos físicos ou míticos, olhar onde se pisa, onde se anda, olhar por onde seus pés caminham.
Volte ao orun com todos os membros e órgãos, se tiver que extirpar algum, enterrar. Nada que vier do seu corpo deve ser cremado.
A família tem que se unir ao redor dos mais fracos, cabe à família educar ou afastar de seu convívio quem não seguir seus padrões.
Período de guerra, de briga, de desentendimento não é bom para fazer filhos.
Aceitar o outro ou a outra como ele ou ela são, afastar-se se não conseguir. (comentário: É melhor ter força para se afastar e não criar um problema maior no futuro do que pensar, “por amor a mim a pessoa vai mudar”. NÃO VAI. Ninguém muda ninguém, embora algumas pessoas tenham o hábito de achar que sim).
Fazer ebo pedindo orire – boa sorte – e não desistir de nada. Pode haver vários meios de chegar ao mesmo resultado.
Conhecer os caminhos e as variantes dos caminhos, muita gente vai se perder e não conseguir voltar este ano (comentário: não é se perder porque desistiu e voltou, é se perder porque escolhe um caminho, não deixa caminhos alternativos, segue por este caminho e não consegue voltar atrás. Então cada vez que eleger um caminho novo, pensar quais as variantes que podem ser escolhidas. PENSE COMO O CAÇADOR: “eu vou por essa estrada e se ela estiver parada ali na frente eu pego outra”, caso contrário não se vai e nem se consegue voltar. Tem certos passos que são dados e não é possível retornar, tem que ter espaço aberto em frente).
Pensar, decidir e não voltar atrás em opiniões das quais se tem certeza, (comentário: veja que Orunmila está insistindo muito nisso. Nas suas opiniões, nas suas certezas, na sua convicção, não se deixar dominar, principalmente pela mídia).
Se estiver errado desculpe-se imediatamente (comentário: Não pense que “OS OUTROS NÃO ESTÃO VENDO QUE EU ESTOU ERRADO ENTÃO DEIXE PARA LÁ”. Não é humilhação se desculpar, reconhecer o erro não é desdouro).
Lembrar: Ifá ate rere kari aiye. Ifá tudo vê nos quatro cantos do mundo, Ifá é onisciente.
Sempre comer ou beber com alguém mais pobre junto (comentários: a não ser que você seja mais pobre, aí dê graças a Orisa por encontra um lugar para satisfazer a fome e a sede).
Dar roupas e objetos, dar dinheiro (comentários: isso tem relação com o que nós, Tradicionalistas de Orisa, freqüentemente colocamos em nossas rezas. “se seu inimigo entrar na sua casa dê comida a ele, dê dinheiro a ele”. Claro que não vai se sair distribuindo dinheiro, mas se tiver alguém que se desconfie e que venha a pedir emprestado, dizer. “Não, eu tenho determinada quantia, valor que eu posso ceder para você, não precisa devolver”. Nunca deixar seu dinheiro na mão do inimigo, para devolver, dê para ele, é dele).
Juntar amigos e rezar pelos doentes (comentários: rezar é importante, gera uma energia muito positiva que atinge aquela pessoa e aos outros ao redor. Toda vez que tiver um doente na família, é importante que a família se reúna, reze e faça um benefício aos pobres em nome daquele que está doente. Nós vamos fazer uma refeição, vamos comer muito pouco e vamos levar aquela refeição para quem precisa, em nome do doente, ou, se a pessoa estiver morta, em nome dos Ancestrais).
Confiar nos Orisa ou no divino, não importa qual nome tenha. O tempo dos Orisa não é o nosso (comentários: Não tem como estipular, “eu quero isso agora”. Orisa enxerga 10 mil anos para trás, 10 mil anos para frente e a totalidade do dia de hoje. Ser humano lembra vagamente o passado, no que lhe diz respeito, imagina o amanhã em seu próprio benefício e só vê no dia de hoje aquilo que lhe interessa positivamente. Quando se pede a Orisa, se põe na mão Dele o que se vai obter e não a nossa imposição).
Os jovens gostam de desbravar, passar boas experiências para eles (comentários: se eles ouvirem, muito bem, caso contrário vai ficar na cabeça deles, eles vão lembrar depois).
É ano de arrumar, lutar contra o desperdício e a desordem, que só criam problemas, prejuízos e compras inúteis. Arrumar e poupar tempo, energia e dinheiro.
Louvar Sángò com fogo, chamas, dendê, quiabo, Orogbo (noz de cola amarga), feijão fradinho no gbegiri, com água fresca e vinho de palma (comentários: se não tiver vinho de palma, substitua por um destilado, Sángò não gosta de cerveja, a não ser que seja cerveja de milho – sekete).
Sángò é misericordioso com mulheres grávidas, mães e idosas que sofrem. Ele é misericordioso com as mulheres (comentários: só pedir justiça a Sángò se estiver absolutamente certo, caso contrário pedir misericórdia. Se você pedir justiça, é justiça que lhe vai ser dada, e pode-se não gostar do que acontecerá se estiver errado).
A doença velha e nova vai dominar a terra. Rezar muito a Omolu e à sua mãe Anan Buruku e prevenir, vacinar, limpar e não abusar (comentários: Orisa defende, mas ensina aos estudiosos, aos médicos o remédio, a vacina, a prevenção. Se Orisa fez com que seja descoberto, é para que nós, seres humanos, usemos o remédio. Lembrar que a doença contagia, não só mata, como deixa seqüelas e leva a outros males. É criminoso não cuidar e prevenir doenças em crianças idosos e deficientes que não podem se cuidar sozinhos. Cabe ao mais velho, cabe ao pai, cabe ao chefe, cabe ao professor, quando muito à autoridade, cuidar desses casos). O remédio certo alivia, melhora e até cura, remédio errado pode matar.
Ano ruim para mau relacionamento na família, não tentar mudar os parentes: ou aceitar ou se afastar. Quem vive confortavelmente consigo mesmo, vive mais (comentários: confortavelmente, não é uma casa grande e dinheiro no bolso, é se sentindo bem, colocar sua cabeça no travesseiro, rezar, virar para o lado e dormir. Não ter um prego na consciência: “eu poderia ter feito isso, eu deveria ter feito aquilo, eu agi errado”. Enfrentar erros de frente e saná-los).
Insatisfação gera raiva, doença e morte infeliz
(comentários: existe morte feliz: a pessoa pode morrer bem consigo mesma e com os outros e existe morte infeliz. Quando a pessoa morre com ódio, não retorna bem).
Ano ruim para animais. Eles são seres com vida própria, mensageiros de Orisa, levam nossos pedidos aos Orisa, ao orun quando sacrificados (comentários: não podem ser maltratados, trabalhar para os seres humanos até a exaustão. Não podem e não devem, na necessidade de sacrifício, serem sacrificados com sofrimento intenso, mesmo que seja só para alimentação ou para debelar por ser selvagem, por ser praga. Animal também se revolta e cria problema aos seres humanos e a outros animais. Não é só ser humano que pensa e se revolta, o animal também).
Planta maltratada some e não volta. Sem plantas (folha) não há Orisa.
Se Orisa retirou do mundo um tipo de animal, caso Orisa ache conveniente, ele reaparece (comentários: não forçar conscientemente, cientificamente esta volta, pode-se criar monstros. Se animal desapareceu, é porque Orisa achou que ele tinha que desaparecer. Raramente ele vai desaparecer, lá no meio do mato ou no fundo do mar, uma hora ele reaparece. Não criar cientificamente, através de um pouquinho de DNA, um pedacinho de pele, um pedacinho de unha, aquele animal. Estará criando um monstro).
O mundo está mudando, a natureza está furiosa, os elementos estão descontrolados (comentários: isso certamente ocorreu antes, mudou muita coisa e hoje tudo é diferente. Antes era só a natureza e os incidentes físicos e biológicos, o ciclo natural das coisas, hoje há a mão do ser humano).
As bombas, tudo que se lança ao espaço tem que cair em algum lugar (comentários: tira-se elementos da terra causando desequilíbrio, tudo é desrespeitado. A consciência do respeito ainda não compete com o hábito egoísta da destruição e do bem estar pessoal e não comunal).
A excessiva exposição dos jovens é maléfica (comentário: há 6 ou 7 anos que Ifá vem falando isto. Tem que se preservar a intimidade e a vida pessoal. As crianças têm que ser ensinadas que uma coisa é ter amigos e outra é se expor 24h, e todos palpitarem no cotidiano de cada um inclusive os adultos com um agravo, nem sempre a identificação do palpiteiro é correta).
Hierarquia é essencial e necessária. Não há por que confundir ordem com mandonismo, hábitos saudáveis com vida antiga (comentário: tem que se ver que antigamente a vida era mais saudável, então hábitos benéficos não é porque sejam antigos, é porque são benfazejos e fazem bem ao homem).
O animal e o ser humano têm muito em comum: sua sobrevivência depende da alimentação saudável, atividade física freqüente e sexo satisfatório, calor, abrigo e os mais velhos ensinam os mais novos (comentário: Dificilmente os animais vão mudar o modo de ser, o ser humano virou as costas a tudo isso e está agindo de uma forma totalmente diferente, sem isso a raça se deteriora, perde valores e perece).
Memória de raça, de família e conhecimento ancestral ficam no cérebro, na língua, nos ouvidos, nos sentidos. As máquinas ajudam, mas não substituem (comentário: lembrar do que já foi dito. Este ano a eletricidade vai dar problema, se toda sua memória estiver dentro de um aparelho que precisa de eletricidade, como é que vai se lembrar das coisas? Nada substitui o cérebro)
Ifá sugere que o ser humano use seus sentidos e sua memória (comentários: provavelmente este ano e certamente nos próximos 4 ou 5 vai necessitar dela).
Conselhos:
- Ser persistente;
- Não ter pressa;
- Ter paciência – Suuru. A grande, grande, grande Ìyá Suuru – a Mãe Paciência, dádiva ancestral;
- Não mentir;
- Não ter vícios;
- Se movimentar muito;
- Ser humano tem que retomar o gosto pela honestidade e pela bondade;
- Evitar os inimigos, pior que um inimigo é um mau amigo;
- Sángò gosta de comida quente e ardendo na pimenta;
- Por amor a Omolu use perolas e não lhe faltará dinheiro (comentários: pode não ter na hora que você precise, mas em seguida ele aparece. Não precisa ser perola verdadeira, pode ser perola de fantasia);
- Sempre louve a mãe de Omolu, Anan Buruku, antes de louvar seu filho.
Provérbios:
- Gato bravo tem orelha rasgada, (comentário: ...ou seja, uma pessoa de mau gênio sempre tem um sinal físico, ou tem uma cicatriz, ou fala piscando...);
- Melão não se come com sal (comentário: nem tudo que é insosso precisa de um sabor diferente, tem que se acostumar com o gosto frágil das coisas);
- Abobora é o rosto e o corpo da família;
- Pepino se serve no sarah dos Ancestrais;
- Azeite de dendê acalma Esu;
- Não vá buscar dentro da terra o que você não guardou lá;
- A terra é fria por fora e quente por dentro, (comentário: ...ou seja, você não sabe o que tem dentro da terra para escarafunchar lá dentro);
- Omi tutu, água fria é presente dos Orisa;
- Do prato a boca perde-se a sopa (comentário: não se deve perder oportunidades, agarrá-las com as duas mãos).
O pilar da Tradição de Orisa é o bom caráter (iwa pele). As dádivas ancestrais são a alegria (ayo), conhecimento que leva à sabedoria (imoran ati imoye) e a paciência (suuru).
Ìyá Sandra Epega
Iyalorisa do Ile Leuiwyato
Guararema, São Paulo
Ase! Ase! Ase!
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