PREVISÕES PARA 2009

Ile Leuiwyato
Ìyá ni wura, Bàbá ni digi

Ano de 2009
Atoto arere, atoto arere
Ifá fe f’oun, e dake

Orunmila envia o Odu Irosu Obara.
Ano regido por Orisa Ogun.
Orisa Esu vai ajudar Ogun a resolver problemas e abrir os caminhos para nkan rere, coisas boas.
É o ano da mudança, do avesso, do que nunca houve, das grandes traições, das grandes ousadias, do nunca visto ou ouvido.
Tem dinheiro para o que poupou, trabalhou e trabalha.
Tem roupa, comida, cargos e honrarias, filhos, terra, poder. Basta ir atrás.

Todos comem e todos obtêm, mas quem é digno, come duas vezes e obtém mais.

Todos conseguem o que querem, mas o generoso consegue mais depressa.

É o início de um período diferenciado, em que tudo muda muito depressa, e as pessoas estão vivendo muito rápido, às vezes mais rápido do que conseguem raciocinar. Homem não é máquina, maçãs verdes têm pouco sabor.

Esu quer que os seres humanos se pareçam com ele, e sejam de inteligência tão afiada quanto a faca que Esu tem na cabeça.
Não é ano que dê espaço ao burro, ao ignorante, ao preguiçoso e ao presunçoso.

Ninguém ira buscar o vizinho pela mão e oferecer a ele marido ou esposa, dinheiro ou filhos, emprego ou moradia, honra ou alegria, saúde ou vida longa.

Ogun mostra que o caminho que vai não é o caminho que volta, e quem se repete fica dando voltas.

Com a inteligência aguçada por Esu e o ânimo acirrado por Ogun, barreiras poderão ser derrubadas, e novos e inesperados caminhos serão abertos.

Não se pode deixar para amanhã nenhuma resolução. Do prato à boca, a comida esfria e perde-se a sopa. Grandes negócios, acertados e resolvidos poderão ser perdidos ou desfeitos por negligência. Todo aquele que depender de terceiros, que fique esperto e cobre resultados ao delegar poderes, mesmo que para um irmão ou amigo fraterno.

Velhos problemas, desafetos, dívidas, antigos amores, pessoas ou situações consideradas perdidas voltam a dar trabalho.

Dinheiro e bens considerados perdidos por famílias, às vezes por décadas, poderão voltar aos seus donos de origem causando espanto e alegria. Processos, considerados perdidos ou sem solução há muito tempo, também poderão se resolver. Esu é o Orisa indicado para seres humanos fazerem este tipo de pedido.

Ano masculino, agressivo, exigente, desafiador, em que até a sobrevivência no quotidiano pode ficar difícil, salvo se alguém usar o artifício da esperteza. Honrado, mas esperto.

Ano do Sla, animal mítico do Ifa, o coiote, a raposa, o gato, aquele que cuida de sua família acima de tudo e age com agilidade, para não perder espaço, sempre aproveitando oportunidades, de forma pontual. O que não precisa ser culto para ser bem sucedido. O que aprende rapidamente com a vida e com seus próprios erros.
Ninguém pode ficar seguro de nada. Nada é fixo, garantido ou confortável este ano. Inclusive e principalmente a natureza e Ilu Aiye, a Terra.

Melhor se agarrar ao que já se tem e agradecer por pequenas bênçãos, que se arriscar e perder muito, inclusive credibilidade e esperança.

Se Orisa quisesse que o ser humano vivesse no fundo do mar, teria dado a ele guelras e nadadeiras,
Se Orisa quisesse que o ser humano atravessasse o espaço celeste, teria dado a ele um rabo de cometa.

Durante os próximos anos, estes espaços, que não pertencem aos seres humanos, mas a outros seres, sejam animais ou estrelas, vão começar a se tornar inóspitos para os invasores e graves problemas e acidentes poderão ocorrer, com muitas mortes e sérias conseqüências futuras.
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Chefes farão acordos que não serão cumpridos, por que a seriedade e a honra parecem não ser mais parte integrante do caráter dos chefes e reis.

Substancias como drogas e álcool são os caminhos que levam à maior parte dos crimes e horrores que assolam a humanidade. Caberá aos que têm poder lembrar que droga não é doença, mas leva às doenças. Álcool não é doença, mas leva às doenças. Aquele que vende não sobrevive sem aquele que compra, e o contrário também é válido. Ambos são criminosos, e como tais devem ser tratados pela sociedade. Isolados, recuperados se possível, e rigorosamente punidos, se impossível a recuperação. Mas atitudes justas e reais devem ser tomadas pela sociedade em prol da própria sociedade.

Excesso de leniência pode levar a distorções graves dos valores morais, e à destruição de uma sociedade. Que é exatamente o que já vimos no passado e o que o futuro preconiza.

Ser humano tem inteligência suficiente para aprender com seus erros, mas não aprende. Repete indefinidamente os mesmos erros, de forma cada vez mais grave, até que, como o pote que muitas vezes foi ao rio, quebre. Só que não somos potes, mas vidas, famílias e não podemos dar espaço ao erro, e à repetição do erro.

Inicia-se a era do TER, em detrimento da era do SER. Deve-se levar em conta que cada um pode e deve ser feliz e realizado por seus meios e recursos, e não por que tem um carro novo ou um bom emprego, obtido por ajuda alheia ou meios escusos. Não se pensa em subir de vida aos poucos, baseando-se em sólidos valores morais.

A falta de vida familiar estável e de religiosidade praticada no dia a dia, sem que distinga a religião do quotidiano, leva a que a figura divina, não importa seu nome, só seja invocada aos domingos ou nas horas de dor, e resulta em que os jovens, principalmente, à falta de bons exemplos, entreguem-se a uma ânsia desenfreada, a uma volúpia de obtenção imediata daquilo que não tem direito, com uma sofreguidão incompatível com suas idades ou possibilidades reais.

Recomenda-se dar mais atenção às novas gerações, cuidando para que não se exponham tanto. Que se transmitam a eles dignidade, honra, valores morais, história da família. Falta paciência a pais, filhos e avós, e esta qualidade, que foi dada aos seres humanos pelos primeiros ancestrais, é essencial para a formação de suas personalidades.

Também filhos têm que nascer e viver em famílias estáveis. Uma mulher, se não achar um bom pai para seus filhos, ligue-se mais profundamente à sua família de origem, e contente-se com aquele único filho, e não gere uma imensa descendência, apenando a sociedade com o seu cuidado.

Não é um ano bom para a paternidade ou a maternidade inconseqüente.

Este ano vão nascer muitas crianças que tem um único objetivo, o de se manterem vivas a qualquer custo. Vão vencer doenças, abusos, abandono, maus tratos. E vão cobrar mais tarde a família e a sociedade por isso. Estas crianças não virão de famílias constituídas, convencionais. Serão, sim, fruto da maldade, da violência, do estupro. Melhor não dar origem a elas. Não é uma sugestão de interromper qualquer gravidez, mas de agir para que este tipo de concepção não ocorra.

A desconfiança estará muito presente na vida do ser humano e com isso, jovens e crianças serão criados com visão restrita do futuro, pouca alegria e quase sem esperança.

Recomenda-se dar mais atenção às novas gerações e cuidar para que não se exponham tanto. Eles precisam aprender dignidade e valores morais. Há muita sedução do poder, da beleza efêmera, da aparência, dos vícios, e do dinheiro fácil em todas as mídias, então é necessário contrabalançar com rigidez e com pulso na educação, na transmissão de valores morais e familiares, e nos bons ensinamentos no lar.

Nada substitui um bom exemplo e os jovens sempre se espelharam nos mais velhos que estão próximos deles.

Nada substitui a família, mesmo a melhor escola. Nada substitui a educação e a instrução regulamentar. Se uma cidade ou um país insistir em educar e instruir duas gerações, estará a frente de todos seus vizinhos por centenas de anos.

Os homens de negócios terão um ano difícil pela frente. De um lado querem ganhar dinheiro, trabalham para isso. Por outro lado, a sociedade cobra deles um novo papel, que é o apoio ao mais necessitado, incluindo seus funcionários e operários. Ninguém quer perder dinheiro nem ganhar menos. Ninguém quer reduzir um mínimo os seus ganhos ou o seu status social ou profissional. Não se pode ter menos bens que o vizinho ou o concorrente.

A disputa entre os seres humanos está muito acirrada e faz com que as pessoas percam o bom senso e a visão global do mundo.
A natureza está reagindo com fúria ao descaso com que está sendo tratada. Animais quase desaparecem de seus espaços de origem, mas alguns poucos conseguem sobreviver e futuramente darão origem novamente à fauna anterior à destruição.

A não ser por alguns animais pré-históricos, não se pode dizer que aves, mamíferos, répteis e insetos desapareceram. Cedo ou tarde ressurgirão, talvez com algumas mutações necessárias à sua permanência na Terra.

As próximas duas décadas serão de sobrevivência. Quem viver, verá.
Orisa deu Ilu Aiye ao ser humano em confiança, e está vendo seu paraíso deteriorado pela ambição dos seres humanos.

Orisa declara que, aos poucos, irá mudar o equilíbrio da Terra, aumentando o número de animais e deixando que os seres humanos se destruam por si mesmos.

Este é um ano de desastres de grandes proporções, de tragédias, do nunca visto, da guerra de explosões, do horror que cai do céu, da destruição dos seres humanos por seus iguais e pelas forças da natureza.

A maldade é inerente ao ser humano, não pertence a nenhum Orisa. E os seres humanos estão ficando cada vez mais maldosos, menos benevolentes, mais agressivos. È uma maldade dirigida contra tudo que tem vida, contra o equilíbrio da Terra.

Este é o ano do avesso, do frio no verão, da neve no outono, da falta de flores e de sol na primavera, do calor no inverno e da noite no dia inteiro.

Os cientistas estarão com a inteligência muito aguda e aberta a novas descobertas, principalmente para mudanças e recuperações genéticas no corpo dos seres humanos.

A cura das doenças dos seres humanos está em seu próprio corpo e em sua própria mente, uma vez que muitos vírus e bactérias conseguem viver dentro do corpo dos seres humanos sem afetá-los.
Haverá um tempo em que os seres humanos aprenderão a conviver pacificamente com todos os agentes causadores das doenças sem serem apenados por elas.

Ogun avisa que a música, durante todo este ano, será lenitivo para muitos males, e os seres humanos terão inúmeras vezes a sensação de estar ouvindo música, sem que consigam identificar a fonte do ruído. É a memória ancestral se manifestando, o que chamamos ori inu.

Quando isso ocorrer, lembre-se de ativar sua memória ancestral, e se acalmar, por que será como um aviso para que mude o comportamento e avalie o que está fazendo de certo e de errado no momento.

A música invisível é um aviso pontual de problemas físicos ou emocionais e principalmente espirituais, para aquele que estiver ouvindo ou para seus parentes próximos.

A generosidade é a palavra chave para abrir portas.
O rei, o chefe, não é aquele que tem mais dinheiro, mais bens, mas o que distribui mais, o que dá de si generosamente. E também não é o que dá por impulso, orgulho, ou exibição. É o que doa de forma consciente, sabendo que não haverá retorno, a não ser em bênçãos. Também o mais sábio, o mais instruído, para que possa guiar seus liderados.

As águas precisam ser pacificadas. O ciclo das águas (terra, evaporação, céu, chuva benfazeja e fertilizadora que gerava grandes colheitas, rios, mares e poços cheios e saudáveis) que sempre beneficiou os seres humanos está muito alterado.

Necessário pacificar o mar oceano, Orisa Olokun, a grande mãe que deu origem a todas as formas de vida que povoam Ilu Aiye. Seus filhos, os rios, lagos, fontes, lagoas, cachoeiras, olhos d’água, estão desequilibrados. A chuva não tem sido mais tão benéfica, Ela chega ácida, deteriorada, ou com fúria e intensidade imensas, destrói mais do que beneficia. E falta por longos períodos, tornando a Terra semi deserta. O gelo, outra forma de manifestação da água, está inquieto, voltando em muitos lugares à forma líquida original.

O mar vai subir e avançar sobre a areia e a terra, se apossar de espaços que nunca foram seus. Há espaços dentro do mar que estão tão lotados de todo tipo de lixo, que ele já pode ser considerado morto. Estas áreas estão pouco a pouco aumentando de tamanho.

A Terra não é mais estável sob os pés dos seres humanos. Ela está convulsa e vai dar problemas este ano, em locais onde sempre foi fixa e firme.

O fogo e o vento não são mais elementos controlados ou mesmo controláveis, dado o desenvolvimento da tecnologia. Este ano o fogo vai sair de dentro da terra em muitos locais, inclusive em canos de transporte de líquidos ou gases inflamáveis. Parte por depredação, parte por negligência, mas sempre devido ao elemento humano.
Objetos estranhos vão cair do céu. Alguns foram para lá enviados da Terra, outros pertencem ao espaço celeste e estão se deslocando. Este é um ano de explosões.

As pedras farão bem aos seres humanos. É bom tê-las em casa, e lembrar que Orisa sempre escolhe pedras para morar, dentro de seus igba (altares).

Algumas folhas podem defender os seres humanos do mal que as águas poderão causar. Hortelã é a primeira folha de defesa contra a água. A segunda folha é o agrião.

Toda família que tem pessoas idosas em seu seio, deve tentar preservar suas memórias, visando as gerações mais jovens. Este é um ano de muitas mortes de idosos, doentes de doenças crônicas ou graves.

Os próximos anos trarão muitas mortes, por diversas causas, inclusive epidemias de doenças fúteis, cuja tecnologia de cura os seres humanos já dominam, ou consideradas extintas.

Assim com a natureza está cansado dos seres humanos, o povo está cansado daqueles a quem deu poder e que em nada corresponderam aos seus compromissos. Poderá haver revolta e deposição de chefes, pelo povo ou pela justiça.

Ano do surgimento de líderes, alguns excelentes, outros oportunistas, que ocuparão espaços abertos, e só farão com que o povo sinta falta dos que se afastaram dos cargos, por que estes, ao menos, já tinham seus defeitos sobejamente conhecidos. “Trás mim virá, quem melhor me fará”.

Vai se difícil se manter com mentiras este ano. É um ano de revelações, da volta de velhos fantasmas, da cobrança de dívidas, das promessas não cumpridas ressurgirem como sombras na vida das pessoas. Cada um vai pagar por seu passado.

Os seres humanos já aprenderam a domar a água, o fogo, o vento, a terra, o sol. Há que entender que a energia de que eles necessitam estará, de forma bem fácil e barata, ao alcance de suas mãos. Mas para isso será necessário direcionar a busca de tecnologia visando o bem de todos e não apenas de pequenos grupos, que só visam dinheiro e poder imediatos. Seria benéfico para a Terra parar de drenar inconsequentemente seus recursos e parar de poluir. Isso não traria uma reversão imediata do negro quadro que aí está, mas ajudaria bastante, em longo prazo.

Ogun é, por excelência, o Orisa da tecnologia, e está ansioso para que seus filhos utilizem, o quanto antes, tudo que ele lhes oferece.
Assim com as memórias das famílias devem ser preservadas, as memórias da Terra, seus tesouros e tudo que os seres humanos fizeram de bom ao longo de milênios, também devem ser preservadas. Este é um ano de convulsões, de explosões, de destruição. Há risco para tudo e todos.

Orisa é o primeiro ancestral dos seres humanos. Quem louvar Orisa, deverá louvar Ancestral. E Iya Mi Osoronga.

Se cada ser humano se preocupar em convencer outro a se modificar para melhor e conseguir seu intento, já serão dois a pensar assim. e depois quatro e em seguida oito, Em alguns anos poderão, pelo menos, minimizar os problemas, colocando a Terra no caminho da cura. É só querer e dar o primeiro passo, que é se modificar.
Sempre houve a guerra e sempre voltou a paz. Mas entrar em guerra com a Terra é perder na certa.

Provérbios do Ano
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Não se pode ter má notícia da Terra, ele é sempre igual.
A água é o princípio, e poderá ser o fim.

Galinha não sabe o tamanho do ovo que ela vai botar.
Elefante segura com a tromba o rabo do que vai à frente e não enxerga o caminho.

Quem tem bom líder não precisa pensar.

Criança não cai das costas da mãe quando ela sabe amarrar o ojá.
Só Esu consegue carregar óleo de palma na peneira.
Em dia de chuva mosca se esconde.

Quando os irmãos brigam, quem sofre é a mãe.

Caçador que pinta de aro (índigo blue) as árvores do caminho, sempre acha o caminho de volta. Aro não falha.

 

Iya Sandra Epega
Iyalorisa do Ile Leuiwyato
Guararema, São Paulo

 


 

 
 

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Comemoramos o ano novo no Equinócio de Outono! Estamos no ano 10.055!

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