Site Oficial da Iyalorisa Sandra M. Epega
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COMISSÃO AFRO
Reinvindicações da Comisão - 16/05/2002

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Voltar p/ Comissão Afro

- Tornar o dia 20 de novembro - Zumbi dos Palmares, feriado estadual. Colaboração junto ao Congresso no lançamento do Dia Nacional das Religiões Afro Descendentes.

- Transformar em espaços inter-religiosos todas as capelas situadas em espaços públicos estaduais (aeroportos, museus, universidades, hospitais, presídios, Assembléia Legislativa, etc.), que não sejam consagradas à uma religião específica. Divulgar e sugerir aos espaços públicos privados que façam o mesmo.

- Designar, por lei estadual, espaços afro religiosos nos Cemitérios, ou sugerir às Prefeituras Municipais a sua construção.

- Apoio para a construção de um Cemitério Afro Religioso.

- Homenagear nossos Heróis e Sacerdotes com nomes em estradas, viadutos e que tais.

- Apoio ao projeto "Lugar de Orixá é na Rua", para que as nossas religiões tenham visibilidade positiva junta á população.

Faça contato:
(11) 8537-7738
9950-0148

- Distribuição de livros, textos ou outras formas de divulgação de todas as religiões praticadas no estado, para consulta e divulgação nas bibliotecas das escolas públicas estaduais.

- Direito aos funcionários públicos estaduais e aos estudantes da rede pública estadual de faltarem durante os dias necessários á iniciação para o Orixá, cerimônia que se faz uma única vez na vida. Por vezes o período de férias não é suficiente para isso. Esse ritual é essencial à Religião.

- Acesso:
1) À Secretaria Estadual da Educação - pela discriminação que sofrem nossas crianças e jovens, tachadas nas escolas de "macumbeiros". Gostaríamos de esclarecer aos supervisores, diretores e professores a terminologia, os rituais e a beleza de nossas religiões. Parceria na confecção de uma cartilha afro religiosa, a ser distribuída nas escolas estaduais e utilizada em aulas de educação religiosa. Em tempo, somos contra a educação religiosa nas escolas públicas, mas, sendo instalada, queremos ser contemplados em igualdade de condições

2) À Secretaria Estadual da Saúde - a) um programa conjunto de prevenção de DSTs/AIDS, diferenciados para os devotos de nossas religiões, em vista de escarificações praticadas com instrumental perfuro cortante durante rituais sagrados. Este programa teve início em 1989 e foi gradualmente abandonado. b) Que um programa de 1990, que estabelecia um benzedor em cada hospital público e posto de saúde, seja novamente estudado, modernizado e possivelmente retomado, aliviando o trabalho de médicos e paramédicos em caso de problemas tão somente espirituais e nervosos, detectados após triagem (Vide Anexo I). c) Estender o programa municipal de detecção de traço falciforme nos recém nascidos a toda rede estadual de saúde (vide Anexo II).

3) À Secretaria Estadual de Esportes e Turismo - para que tivéssemos um programa conjunto de Turismo Afro Religioso, e para que os diretores dos Centros Esportivos fossem conscientizados de nossas necessidades do uso de Ginásios de Esportes para nossas grandes celebrações para Orixá e Ancestral.

4) À Secretaria Estadual de Cultura, para que fosse instalado o projeto Memória Afro Religiosa do Estado de São Paulo.

5) À Secretaria Estadual de Promoção Social, para que expuséssemos nossas necessidades e dificuldades em estabelecer parcerias.

6) À Secretaria Estadual de Segurança Pública, para que estabeleça policiamento em grandes festas públicas, bem como ao redor de templos grandes, que reúnem semanalmente um número considerável de adeptos.

7) À Secretaria Estadual de Meio Ambiente, apoio para publicar e distribuir uma "Cartilha sobre conservação do Meio Ambiente", dirigida ao povo afro religioso, que dará continuidade a um trabalho iniciado em 1999, pela Comissão Afro. Também apoio informativo, técnico e logístico na elaboração da cartilha.

8) E à todas as Secretarias Estaduais e outros organismos, para que pudéssemos sugerir programas e parcerias, eliminar discriminação, sempre dentro da lógica e do bom senso.- Instalação do Conselho Estadual da Paz, que funcionaria como os demais Conselhos, reunindo pessoas da sociedade civil e religiosa do estado, que propusessem políticas públicas, de forma que uma Cultura de Paz, em curto espaço de tempo, fosse divulgada, esclarecida, implantada e mantida em todas as áreas do Estado.

- Criação da Delegacia Estadual de Crimes de Discriminação Religiosa, com assessores de todas as religiões praticadas no Estado, que efetivamente coibissem, prevenissem e desestimulassem tais práticas, implantando tolerância zero para esse tipo de crime.

- Apoio às nossas intenções de participar mais da mídia - TV e Rádio, na intenção de esclarecer a população sobre os aspectos religiosos que não são bem explicados e assimilados pela mídia convencional. Note-se que não temos o hábito do proselitismo religioso, nem a intenção de fazer adeptos eletrônicos.

- Criação de Espaços Ecológicos Religiosos em vários pontos do estado, inclusive em Parques Estaduais.

- Uso de mar, rios, lagoas e lagos para entrega de oferendas ecológicas e não poluentes, louvando assim nossos Orixás, lembrando sempre que a natureza é nossa aliada religiosa, uma vez que os Orixá são as forças da natureza.

- Discutir de forma ampla o último censo, que nos pareceu manipulado, principalmente a parte de religiosidade, talvez porque o povo afro religioso não se define como umbandista, e sim como espírita ou católico.

- Inclusão do quesito religião auto definida pelos usuários de todas as instâncias do poder estadual, para que tivéssemos uma forma paralela de controle que não só o censo federal. Dizemos auto definida para que não se limite opção religiosa aos itens católico, evangélico, outros.

- Um mandato transparente, com avaliações anuais.

- Que fosse estabelecida uma lei estadual de pleno acesso a hospitais (visita religiosa), presídios, delegacias, velórios, necrotérios e outros espaços públicos, onde a presença de um sacerdote é necessária, sem que ele tenha que disputar espaço de visita com parentes, limitando assim o acesso religioso a horários fixos. O pleno acesso é válido para religiões majoritárias, e bloqueado às outras, principalmente às religiões afro descendentes, erroneamente chamadas de seitas..

- Que os sacramentos de todas as religiões praticadas no estado sejam válidos perante a lei.

- Que os nomes em outros idiomas, utilizados por devotos afro descendentes, sejam aceitos em cartórios, sem as obstruções que hoje encontramos.

- Apoio logístico aos nossos grandes eventos realizados em locais públicos - limpeza, transporte, segurança, som.

- Que sejam incluídas as religiões afro descendentes, em igualdade de condições com todas as outras, em todas as cerimônias realizadas no Palácio do Governo e em outros órgãos estaduais, nas ocasiões que religiosos são convidados. Pedimos que haja visibilidade na mesa de honra não apenas aos católicos, evangélicos e judeus, mas à todas as religiões praticadas no estado. Que seja cientificado o serviço de protocolo do governo.

- Apoio para que as religiões afro descendentes tenham um grande Espaço Ancestral, que incluiria Escola, Espaço Ecológico, Casa de Convivência Infantil, Casa de Repouso, Grande Catedral, Biblioteca, Cemitério, Museu afro religioso. Pedimos apoio logístico para que possamos planejar, projetar e dar o primeiro impulso, talvez com parcerias empresariais ou governamentais.

- Criação do museu Afro Religioso do Estado de São Paulo.

- Tombamento de Templos antigos, referenciais da religião, bem como de árvores sagradas que acompanhem ou não esses templos.

- Que árvores sagradas sejam plantadas nas ruas, com placas identificadoras de sua sacralidade e importância.
Anexo I - Fomos procurados, uma ocasião, pelo Prof. Dr. Fernando U. Giraldo, da Colômbia, e pelo Dr. Istvan V. Deursen Varga, do Brasil, e por membros da CIP, Coordenação dos Institutos de Pesquisa da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, para que participássemos de um programa de aproveitamento da crença e sabedoria popular em postos de saúde e hospitais da periferia, imitando trabalho que vinha sendo desenvolvido por índios da Colômbia.
É largamente conhecido o hábito que o segmento mais humilde da população tem de procurar os curandeiros e "pais-de-santo", quando se sentem enfermos. Primeiro o Sacerdote, o "passe", a benção, depois a farmácia, o médico, o hospital.
A Secretaria de Saúde gostaria então de esclarecer estes "curadores" de suas limitações, ensiná-los a indicar a seus adeptos o caminho dos postos e centros de saúde, quando o caso fosse grave ou urgente, bem como a repassar aos médicos e paramédicos o conhecimento das "garrafadas" e das "mezinhas", que tanto bem fazem à população, no caso de moléstias corriqueiras e da mera necessidade de equilíbrio emocional.
Haveria toda uma pesquisa de folhas e remédios utilizados pelos curadores, que seria feita pelas universidades ou institutos de pesquisa do governo, médicos e curadores eventualmente fariam juntos uma triagem dos doentes e cada um daria assistência aos pacientes dentro de sua especialidade e das necessidades demonstradas, visando sempre o bem estar da população, e o baixo custo que este tratamento alternativo poderia ter, liberando verbas para casos mais urgentes ou para a profilaxia.
Foi sugerida inclusive a presença de um "curador" de plantão em hospitais e ambulatórios, que poderia reconhecer numa triagem inicial os casos de sua especialidade e, na impossibilidade disto acontecer, os doentes seriam indicados a procurar este ou outro curador, que gozasse da confiança das autoridades sanitárias da área.
Também casos considerados pelos médicos como espirituais e da competência dos sacerdotes, seriam enviados para Igrejas, Templos e Centros Espíritas.
Como não houve mais comunicação por parte do CIP a respeito das decisões tomadas, é interessante imaginar as repercussões que tais atitudes tomadas por uma Secretaria de Saúde Estadual teriam no clero católico e protestante convencional.
A última notícia que tivemos destes médicos foi um trabalho enviado por telex e lido por um membro do CIP, intitulado "A saúde no Candomblé e a cura pelas plantas", apresentado no "IV Congresso de Tradição de Orixá e Cultura", em setembro de 1990, no Anhembi - SP.
Todo Sacerdote sabe que há um limite para aquilo que pode oferecer em termos de cura. Doenças que não respondem à medicação habitual, dores sem causa orgânica comprovada, sintomas sem exames compatíveis, são fatalmente desaguados em um Templo.
E há casos específicos, como as crianças Abiku (nós nascemos para morrer). Os Abiku são um grupo espiritual que nasce e morre inúmeras vezes de uma mesma mulher ou de mulheres de uma mesma família, causando mágoa e dor, sem que haja explicação lógica para o fato.
Crianças que têm morte súbita e inexplicável, mulheres que têm muitos abortos ou filhos natimortos, e até mesmo a "morte azul", que afeta inúmeros bebês em todo o mundo, tem no conceito Abiku, uma explicação religiosa e eventual cura.
Também uma manifestação do Orixá, chamada popularmente "bolar o Santo", pode ser confundida com desmaio ou até mesmo com a coma. É a maneira do Orixá designar aquela pessoa para ser iniciada no seu culto, transformando-se em sacerdote.Anexo II - A Tradição de Orixá utiliza também uma técnica milenar de escarificação, chama Gbere ou Cura. Estas perfurações da pele, que envolvem ou não a introdução de material mágico e sagrado no corpo, são vistas como forma de conter o Aje, "fechando" o corpo do crente, ou utilizada como meio curativo ou energético. Em alguns casos, também estético e de distinção tribal ou étnica.
Podemos estabelecer um paralelo entre os Gbere e meios semelhantes, utilizados por vários povos, de perfurar a pele em pontos determinados, para estimular ou direcionar a energia vital e dar ao próprio organismo a possibilidade de se curar.
Vários povos antigos têm este hábito, principalmente as civilizações milenares, os africanos negros em geral, os Dogon, os Efon, os Bantu, os Yorùbá, os Mahi, os Ashanti, os Fulani, os Ibo, e também os Chineses, os Malaios, os Japoneses. Encontramos também nos indígenas brasileiros e nos sul e centro americanos em geral o uso sistemático da escarificação, sempre ligada à religião e/ou à cura.
Gbere são pequenos cortes feitos com instrumento bem afiado (navalha, gilete, dente de animais ou peixes, concha, espinho, pedra, vidro etc), em vários pontos do corpo, membros, cabeça, rosto.
Em área da "Yorubaland", como a Nigéria e o Benin, usam-se também cicatrizes sagradas e marcas tribais, no rosto, podendo-se verificar num relance de olhos qual a origem étnica do indivíduo.
Com o aparecimento de algumas doenças, como a AIDS, tornou-se perigoso realizar esta prática da maneira ancestral, dado os riscos de contaminação que surgiriam.
Um grupo de sacerdotes paulistas reuniu-se há vários anos com membros do Centro de Referência e Treinamento/AIDS, da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, e foi criado o "Egbé ko si arun" (grupo para que não haja doença), denominado GECAIDS (Grupo Especial de Combate à AIDS dentro dos religiões Afro Descendentes, que faz prevenção em AIDS dentro destas religiões). Presidido pelo Babalorixá Francisco de Oxum, fez um bom trabalho na divulgação e na prevenção.
Desenvolvemos todo um trabalho alternativo de cerimonias de Gbere. Mostramos ser necessário de um certo modo modificar a Tradição Ancestral e utilizar material individual, descartável ou desinfetado/esterilizado para a realização não só desta prática, como de outras que utilizem instrumental perfuro cortante, com invasão ou não do corpo do crente, como iniciação e cerimonial de morte (Ajeje).
Temos hoje o GVTR, Grupo de Voluntários do Trabalho Religioso, ONG coordenada pelo Babalorixá Celso Ricardo de Oxagiyan, que há um ano trabalha em prevenção de DSTs/AIDS, fazendo palestras, seminários e capacitação de multiplicadores de informações junto aos Templos afro religiosos.